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Por que uma mãe atípica decidiu entrar na política?

✍️ Amábile Marchi

Deixei de perguntar 'por que comigo?' e passei a perguntar 'por que com todos nós?'. Conheça a trajetória da Professora Amábile Marchi, da sala de aula à presidência da UPPA.

Eu nunca sonhei em ser política.

Meu sonho era ser professora, ter minha família, viver em paz. Ensinar crianças a ler, a somar, a pensar. Voltar para casa no fim do dia, brincar com meus filhos, dormir tranquila.

Mas o autismo chegou na minha vida e mudou meu endereço no mundo.


Quando a Dor Individual Vira Dor Coletiva

De repente, eu não era mais apenas a Amábile. Eu era a “mãe do autista”.

E descobri que esse rótulo vinha acompanhado de:

  • 🚪 Portas fechadas (escolas que “não tinham vaga”)
  • 👀 Olhares tortos (no supermercado, na igreja, no ônibus)
  • 📄 Burocracia desumana (6 meses para conseguir um laudo pelo SUS)
  • 💔 Solidão (amigos que sumiram quando viram que “meu filho não era normal”)

Passei anos chorando escondida. Perguntando: “Por que comigo?”

A virada de chave aconteceu quando percebi que a minha dor individual era, na verdade, uma dor coletiva.

Vi outras mães na UPPA (União Paranaense de Pessoas Autistas) passando pelas mesmas humilhações:

  • A mãe que teve que largar o emprego porque a escola expulsou o filho
  • A mãe que está com o nome sujo porque precisou pegar empréstimo para pagar terapia
  • A mãe que perdeu a guarda do filho porque o juiz achou que ela “não estava dando a assistência adequada” (porque o Estado não fornecia)

E percebi: Isso não é azar. É abandono institucional.


Nada Sobre Nós, Sem Nós

As decisões que deixam nossos filhos sem escola, sem terapia, sem remédio, são tomadas em salas com ar-condicionado, por pessoas que:

  • ❌ Nunca pisaram no chão de uma APAE
  • ❌ Nunca esperaram 4 horas num CAPS
  • ❌ Nunca ouviram um médico dizer: “Não tem o que fazer, leve ele pra casa”
  • ❌ Nunca sentiram o olhar de dó (ou pior, de nojo) de uma professora ao ver seu filho

E aí eu decidi: Eu vou estar nessa sala.

Não quero mais que falem por mim. Quero que a nossa voz — a voz de quem cuida, de quem educa, de quem luta todos os dias — seja ouvida onde as leis são feitas.


Da Sala de Aula para a Assembleia Legislativa

Minha trajetória política começou naturalmente:

2018 - Conselheira Tutelar

Comecei defendendo casos de crianças com deficiência que eram negligenciadas pelas escolas. Vi de perto o descaso.

2020 - Fundação da UPPA

Junto com outras mães e pais, criamos a União Paranaense de Pessoas Autistas. Hoje somos a maior organização de autistas e familiares do Paraná.

2022 - Caminhada Azul no Barigui

Levamos mais de 2 mil pessoas para as ruas de Curitiba no Dia Mundial do Autismo. Políticos que antes ignoravam nossos e-mails, passaram a nos convidar para reuniões.

2024 - Candidatura pelo PCdoB

Quando o partido me convidou para disputar, eu hesitei. Não me sentia “política profissional”. Mas aí olhei pros meus filhos e pensei:

“Se eu não for, quem vai?”

E aqui estou.


O Que Eu Defendo (Sem Mimimi)

Não sou política de palanque. Sou mãe, professora e militante. Minha pauta é simples:

🟣 1. Educação Pública 100% Pública

Contra a privatização das escolas. Contra a entrega da educação para empresas que veem nossos filhos como “despesa”.

🟣 2. SUS Sem Fila de 2 Anos

Exigir que o Estado contrate fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos suficientes. Terapia não é luxo, é direito.

🟣 3. Lei, Fiscalização e Punição

Não adianta lei bonita se ninguém fiscaliza. Quero criar uma Ouvidoria Permanente de Direitos da Pessoa com Deficiência na Assembleia Legislativa do Paraná.

🟣 4. Formação de Professores

A maioria dos professores nunca teve aula sobre autismo na faculdade. Como vão incluir se não sabem?

🟣 5. Fim da Violência Contra Mulheres

Mães atípicas sofrem violência doméstica 3 vezes mais que a média (segundo pesquisa da USP). Muitos pais abandonam quando vem o diagnóstico. Precisamos de políticas públicas para essas mulheres.


Minha Missão (Por Que Acordo Todo Dia)

Garantir que nenhuma mãe precise passar pelo que eu passei.

Que nenhuma criança autista seja expulsa da escola.
Que nenhum pai precise escolher entre pagar terapia ou comida.
Que nenhuma família precise implorar por dignidade.

Essa é a minha missão.

E eu não vou fazer isso sozinha. Vou fazer com vocês, na UPPA, nas ruas, nas assembleias.

Porque juntos, somos maioria. E maioria governa.


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Professora Amábile Marchi é educadora da rede pública estadual do Paraná desde 2010, mãe de dois meninos autistas, presidente da UPPA (União Paranaense de Pessoas Autistas) e pré-candidata a deputada estadual pelo PCdoB. Contato: amabile@uppa.org.br

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