Privatização das Escolas no Paraná: Por que isso é um perigo para o aluno com deficiência?
Entenda como o projeto 'Parceiro da Escola' ameaça a inclusão. Quando a educação vira lucro, o aluno que precisa de apoio vira 'custo'. Uma análise da Prof. Amábile Marchi.
Como professora da rede estadual e mãe de dois filhos autistas, eu preciso fazer um alerta honesto para todas as famílias atípicas do Paraná.
Fala-se muito em “modernizar” a gestão das escolas, entregando-as para empresas privadas (o projeto Parceiro da Escola). A promessa é bonita: ar-condicionado, pintura nova, gestão eficiente.
Mas, para nós, que vivemos a realidade da inclusão, existe uma pergunta que ninguém responde:
O lucro combina com a inclusão?
Uma empresa privada visa, por natureza, o lucro. Para ter lucro, é preciso cortar custos. E na escola, quem é visto como “custo”?
- ❌ O aluno que precisa de um Profissional de Apoio (mediador) exclusivo
- ❌ O aluno que precisa de material adaptado em relevo ou pictogramas
- ❌ O aluno que precisa de tempo diferenciado e salas de recursos multifuncionais equipadas
- ❌ O aluno que precisa de formação específica para os professores
A Escola Pública é a Casa da Estabilidade e do Direito
O servidor público concursado tem estabilidade para denunciar a falta de estrutura. A empresa terceirizada, não.
Quando um professor efetivo vê uma criança autista sendo negligenciada, ele pode acionar o Ministério Público, o Conselho Tutelar, fazer barulho. Quando a escola é gerida por uma empresa privada que tem contrato com o governo, esse mesmo professor tem medo de perder o emprego.
A Experiência de Outros Estados
Não é teoria da conspiração. É história recente:
- Em Goiás, escolas militarizadas expulsaram alunos com deficiência alegando “incompatibilidade com o regime disciplinar”
- No Amazonas, empresas parceiras reduziram a carga horária de salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado) porque “não estava no contrato”
- Em São Paulo, o projeto de escolas charter foi barrado depois que auditoria mostrou segregação de alunos por desempenho
Defender a Escola 100% Pública Não é Ideologia. É Defesa de Causa Própria.
É garantir que seu filho seja visto como um cidadão de direitos, e não como um número negativo na planilha de custos de um empresário.
A inclusão real custa caro. Mas a dignidade dos nossos filhos não tem preço.
O Que Você Pode Fazer Agora?
- Conheça a UPPA (União Paranaense de Pessoas Autistas): www.uppa.org.br
- Acompanhe os projetos de lei da Assembleia Legislativa do Paraná
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- Exija transparência: Se sua escola está entrando no “Parceiro da Escola”, pergunte na reunião de pais como ficará a inclusão
🟣 Pelo Paraná da Inclusão!
💪 Juntos por uma sociedade sem barreiras!
Professora Amábile Marchi é educadora da rede pública estadual do Paraná, mãe de dois meninos autistas e presidente da UPPA (União Paranaense de Pessoas Autistas). Acredita que a escola pública é o único espaço verdadeiramente democrático para garantir o direito à educação de todas as crianças.
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